Jovem diz que teve pele riscada com suástica por apoiadores de Bolsonaro

De acordo com a Rádio Guaíba, uma jovem de 19 anos registrou boletim de ocorrência relatando ter sido agredida por três homens no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre (RS), na noite de segunda-feira (8).

A vítima, que não quer falar com a imprensa por medo de sofrer novos ataques, relatou à Polícia Civil que após descer do ônibus, quando ia para casa, teria sido abordada pelos agressores porque estava usando uma camiseta com os dizeres #EleNão, em referência ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL).

Ainda segundo o BO, os homens teriam questionado a jovem sobre o motivo do uso da camiseta e a atingiram com socos. Na sequência, enquanto dois deles teriam segurado a vítima, o terceiro riscou uma suástica na pele dela com um canivete, na região da barriga. A suástica é símbolo do regime nazista alemão.

Orientada pela polícia, a vítima fez exame de lesão corporal. Devido ao susto, ela está tomando calmantes.

O delegado do caso, Paulo César Jardim, acredita que, com base em uma fotografia da lesão, trata-se de um símbolo budista. À BBC News Brasil, ele disse não entender que é um desenho nazista e extremista. “Eu fui olhar o desenho que fizeram na barriga dela. É um símbolo budista, de harmonia, de amor, de paz e de fraternidade. Se tu fores pesquisar no Google, tu vai ver que existe um símbolo budista ali. Essa é a informação”, concluiu.

Gabriela Souza, advogada da garota, afirmou à BBC que sua cliente foi atacada gratuitamente por estar com um adesivo com os dizeres “#EleNão” e um arco-íris, um símbolo LGBT. Não houve, segundo relato dela à polícia, citações diretas dos acusados à disputa eleitoral.

“Esse ato homofóbico foi feito com o objetivo de intimidá-la. Ela foi atingida física e emocionalmente. Existe aí um óbvio contexto político subentendido”, diz a advogada.

Para Souza, a declaração do delegado sobre a suástica foi precipitada.

“Ele fez uma declaração completamente equivocada num primeiro momento, até porque, entre outras coisas, o comportamento dos agressores é incompatível com o budismo. Mas ao longo do depoimento prestado à tarde ele entendeu a gravidade e a proporção do caso e então passou a dar a atenção correta. O Estado precisa estar preparado. Não pode confundir suástica, símbolo do nazismo, com símbolo de amor, da paz budista, porque é justamente isso que está acontecendo na política atual”, finalizou.

Fonte: Yahoo