Haddad diz que Moro fez “bom trabalho no geral”, mas pecou na condenação de Lula

NELSON ALMEIDA / AFP

Em entrevista ao SBT, na noite desta quarta-feira (17), o candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, disse que o juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, no geral, fez um bom trabalho na condução da Lava-Jato, mas cometeu equívocos ao soltar delatores e condenar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silvapreso desde abril em Curitiba:

— Acho que, em geral, ele ajudou (o Brasil). Em relação à sentença do Lula, acho que um erro que vai ser corrigido pelos tribunais superiores, porque ele não apresentou provas contra o presidente. Mas, em geral, acho que o Sergio Moro fez um bom trabalho, embora eu acho que ele tenha soltado muito precocemente os empresários e liberado dinheiro roubado para esses empresários usufruírem e gozarem a vida.

Segurança pública

Questionado pelo jornalista Carlos Nascimento se pretende endurecer o combate ao crime, Haddad disse que pretende diminuir o peso sobre os Estados e contratar mais policiais federais para combater o crime organizado:

— Nossa proposta é muito inovadora, porque hoje a atribuição da segurança pública é dos governos estaduais. O que meu programa prevê, Nascimento? Que parte dos crimes relativos às organizações criminosas seja de responsabilidade da Polícia Federal. Vou contratar um contingente novo de policiais federais, que com equipamento e inteligência vão poder combater o crime organizado no Brasil — afirmou, destacando que as PMs e polícias civis poderiam ficar em homicídios, feminicídios, roubos e estupros.

Educação

Haddad voltou a falar de pontos de sua gestão como ministro da Educação no governo Lula, citando a criação do ProUni, o fim da necessidade de fiador para aderir ao Fies e a implementação de polos de universidades federais em cidades do Brasil e de escolas técnicas em cidades médias, “para estimular o ensino médio e profissionalizante”.

Cid Gomes

O entrevistador citou a frase do senador eleito Cid Gomes, afirmando que o PT “em vez de reconhecer as besteiras que cometeu, ele deixou de reconhecer, e achou que era dono do Brasil”. Cid fez a declaração em evento de apoio ao PT em Fortaleza, na última segunda-feira (15).

Nascimento perguntou se Haddad concorda com a fala. O petista voltou a falar que as afirmações foram feitas em meio a um bate-boca e no calor da discussão, mas reconheceu alguns erros do governo do PT:

— Já disse me uma entrevista recente que os mecanismos que criamos para controlar os ministérios deveriam ter sido usados também nas estatais. Fui ministro da educação por sete anos e gerenciei R$ 100 bilhões por ano e você não ouviu nenhuma menção sobre desvio de recurso público. Não apenas pela minha conduta, mas porque eu tinha um controle interno eficaz, que pretendo adotar em todas as estatais.

Campanha no segundo turno

Nascimento questionou a mudança de postura da campanha do PT no segundo turno, onde a coligação diminuiu o uso da imagem do ex-presidente Lula e mudou as cores de vermelho para verde e amarelo. Haddad afirmou que mudanças de abordagem na segunda etapa do pleito são normais.

— Nas quatro vezes que fomos para o segundo turno, a gente muda um pouco, porque o segundo turno é ampliação.

Ataque a Bolsonaro

Haddad disse que seu adversário na disputa está divulgando notícias falsas sobre seus livros publicados, usando as capas das publicações, mas “mudando o miolo”, acrescentando obras de terceiros.

— Estou querendo denunciar aqui outra pratica do meu adversário. Ele colocou um vídeo dizendo que sou dono de uma Ferrari, sendo que nem carro eu tenho. Ando de metrô, de ônibus de bicicleta e de Uber.

Na terça-feira (16), o SBT entrevistou o candidato do PSL à Presidência. Bolsonaro destacou que rejeita aumento de impostos aos mais ricos: “Está todo mundo sufocado no Brasil”.