Mãe de irmãos mortos em Linhares, vai depor na CPI dos Maus-Tratos

A pastora Juliana Salles, mãe dos irmãos Joaquim, de 3 anos, e Kauã, de 6, que morreram em um incêndio em Linhares, foi convocada para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Maus-Tratos, no dia 14 deste mês. A informação foi divulgada pelo senador Magno Malta (PR-ES), que preside a CPI, nesta quinta-feira (7).

Os filhos de Juliana morreram no dia 21 de abril. O inquérito enviado pela polícia ao Ministério Público do Espírito Santo no dia 29 de maio, aponta que o marido dela, o pastor George Alves, estuprou, agrediu e queimou o filho e o enteado vivos dentro de casa.

De acordo com o inquérito, Juliana não tem participação no crime e não é investigada. No dia do crime, ela estava em um congresso em Minas Gerais com o filho mais novo do casal.

“Ela não está na cena do crime, mas é muito difícil você não ouvir uma pessoa que tem dois filhos mortos e depois sai de mãos dadas com o marido para ir para uma pizzaria. Não estamos levantando dúvidas sobre ela, mas ela precisa ser ouvida”, disse o senador.

Caso

O crime denunciado aconteceu no dia 21 de abril. Inicialmente, o pastor, que estava sozinho em casa com os meninos, disse que eles morreram em um incêndio que atingiu o quarto onde as vítimas dormiam.

Na primeira entrevista à imprensa, ele disse que tentou salvar as crianças. Mas, segundo a polícia, a versão dele não estava de acordo com os fatos apurados durante as investigações.

A mãe das crianças, de acordo com o inquérito, não tem participação no crime e não é investigada. Procurada pela reportagem, ela não quis se manifestar. No dia do crime, Juliana Salles estava em um congresso em Minas Gerais com o filho mais novo do casal.

O acusado foi preso temporariamente desde o dia 28 de abril porque mudou o local do crime e fez contato com testemunhas, segundo a polícia.

George Alves foi indiciado por duplo homicídio triplamente qualificado e duplo estupro de vulneráveis. A soma máxima das penas pode chegar a 126 anos.

Novas investigações

O inquérito da Polícia Civil, que aponta George como responsável pela morte das crianças, foi entregue ao MP-ES no dia 29 de maio. Mas a promotora Raquel Tannenbaum solicitou que novas diligências fossem feitas para esclarecer alguns detalhes sobre o caso.

A promotora deu um prazo de 10 dias para que o inquérito seja devolvido ao Ministério Público. Na delegacia, a informação é de que o inquérito já está sendo finalizado e deve ser entregue novamente ao MP-ES até sexta-feira (8).

Fonte: G1 ES