Inspetores receberam R$ 150 mil para facilitar fuga de detentos em São Mateus; segundo MP

Os inspetores penitenciários suspeitos de facilitar a fuga de cinco detentos em São Mateus, no Norte do Espírito Santo, em janeiro de 2018, receberam em troca um pagamento de R$ 150 mil, segundo o Ministério Público do Espírito Santo (MP-ES). De acordo com o órgão, o valor foi dividido entre eles.

A operação Bota Preta, que investiga o caso, foi deflagrada na manhã desta terça-feira (15), nos municípios de São Mateus, Vila Velha, Linhares e Nova Venécia.

Em São Mateus, três inspetores foram detidos, dois em casa e um na penitenciária. Duas mulheres acusadas de levar objetos que facilitaram a fuga para dentro do presídio também foram detidas, uma em Vila Velha e outra em Nova Venécia.

Os cinco presos foram encaminhados para a Delegacia de Polícia Judiciária (DPJ) de São Mateus e, posteriormente, conduzidos para o Complexo Penitenciário de Viana.

Um quarto inspetor não foi encontrado e é considerado foragido. Outro foi afastado do cargo.

Participam da ação seis promotores, sete delegados, 28 policiais civis e militares, e seis agentes da inteligência da Secretaria de Justiça.

Investigação

Interceptações telefônicas foram feitas com a autorização da Justiça a partir da fuga que ocorreu em janeiro. Na ocasião, escapou da prisão o traficante Lucimar de Jesus, o Japão, considerado um dos mais perigosos da região.

A investigação aponta para um esquema de corrupção e facilitação de fuga de presos. Também são investigados outros crimes que configuram organização criminosa dirigida à prática de corrupção passiva, prevaricação, corrupção ativa, favorecimento real, fuga de pessoa presa e organização criminosa.

A investigação é feita pelo Ministério Público Estadual (MP-ES), por meio Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco); e a Polícia Civil, com o apoio da Diretoria de Inteligência Prisional (DIP) da Secretaria de Justiça (Sejus) e do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do MP-ES.

Nome da operação

O nome da operação, Bota Preta, faz referência à forma como são chamados os inspetores penitenciários, os antigos agentes, pelos presos.